SALA DE CINEMA: As Sufragistas

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O ano de 2015 foi marcado por manifestações de mulheres contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, e a favor da liberação do aborto. Não só isso: a favor das mulheres decidirem o que fazem e o que deixam de fazer com seus corpos. O tema da redação do ENEM, violência contra as mulheres, também fomentou o debate, principalmente nas redes sociais.

Nesse cenário estreou As Sufragistas, filme com equipe totalmente feminina que retrata o movimento das mulheres nos anos 1910, na Inglaterra, que lutava pelo direito ao voto. Entre as personagens, temos Maud Watts (Carey Mulligan), uma operária que toma conhecimento da luta sufragista por uma colega de trabalho.

Paralelamente à história do movimento em si, o filme acompanhará os dramas da vida de Maud: sua vida com o marido e seu filho, o trabalho na fábrica, sua relação com seu patrão e com as outras mulheres que também trabalham ali. Assim, a única personagem masculina que foge do papel de homem-opressor-patriarcal é o farmacêutico casado com a personagem de Helena Bonham Carter.

O filme não serve somente como uma ótima aula de história, mas também supre uma lacuna no mercado audiovisual, em que poucas mulheres têm a oportunidade de trabalhar nas mesmas condições que os homens. Um número menor ainda é lembrado em premiações, quando pensamos em relação à direção, por exemplo. Dirigido por Sarah Gavron e roteirizado por Abi Morgan, o longa venceu o Women Film Critics Circle Awards, premiação norte-americana dedicada a filmes sobre mulheres e feitos por mulheres, que também premiou o brasileiro Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, como Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, o longa levanta questões ainda atuais e importantes como a violência contra a mulher e a igualdade de gênero.

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A direção de Gavron não é inovadora, mas o debate e as questões ainda atuais que o filme levanta – violência contra a mulher, igualdade de gênero, truculência da polícia em relação aos movimentos sociais – faz com que a diretora se saia bem.

Se pensarmos, o direito ao voto não foi conquistado há muito tempo. Na Inglaterra, foi obtido em 1928. Já no Brasil, em 1932. Ao fim do filme, uma lista com os anos e os países sobe na tela. Em países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, o voto e a candidatura de mulheres a cargos políticos foram permitidos apenas no ano passado.

No Brasil

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Após a conquista na Inglaterra e nos Estados Unidos, o movimento sufragista no Brasil ganhou mais força e o fato de muitas mulheres da luta serem da elite política brasileira facilitou a obtenção do voto. Mossoró, no Rio Grande do Norte, governada por Juvenal Lamartine, foi a primeira cidade a autorizar o voto da mulher em eleições em 1928.

No ano seguinte, o município de Lajes (RN) elegia a primeira prefeita do Brasil, Alzira Soriano de Souza. O governo de Getúlio Vargas apresentou-se favorável ao voto feminino e em 1931 concedeu voto limitado às mulheres, ou seja, somente solteiras, viúvas com renda própria ou casadas com autorização do marido poderiam votar. Os grupos feministas continuaram se manifestando, pedindo pela igualdade entre os votos de homens e mulheres. Em 24 de fevereiro de 1932, Getúlio assinou o decreto que determinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma do código.

Conheça aqui as mulheres que lutaram no movimento e que são retratadas pelo filme e leia aqui mais sobre o movimento sufragista no Brasil.

Revisão: Juliana Skalski

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