A talentosa irmã de Mozart – The Other Mozart

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Mozart tinha uma irmã.

Um pouco mais velha que ele e tão talentosa – senão mais – que o próprio.

Acontece que a história é feita do que se conta.

Não obstante, conta-se a metade das histórias…

Diante disso, a diretora e atriz Sylvia Milo, violinista e pianista, em uma viagem à Viena para um evento comemorativo em homenagem ao 250º aniversário de Wolfgang Mozart, notou num quadro da família uma mulher, sentada ao lado dele e que parecia estar no mesmo patamar.

“Quando pesquisei como era Nannerl como instrumentista, descobri que os dois percorreram a Europa em turnês e que o nome dela apareceu em primeiro lugar em muitos dos concertos. No entanto, as composições dela não sobreviveram”, conta Sylvia.

Decidiu então criar uma versão das experiências de Maria Anna Mozart, apelidada de Nannerl, usando a correspondência da família Mozart como referência, e imbuída de enorme compaixão pela artista que ela poderia ter sido.

O monólogo The Other Mozart, que hoje percorre os Estados Unidos, dá voz a essa frustração, reimaginando a narrativa de Nannerl.

Encarnada com cabeleira enorme e personalidade forte (que lembra uma Helena Bonham Carter excepcionalmente animada), Narnnel tem ali um destaque nunca antes alcançado. Nos livros biográficos de Mozart, ela não passou de uma nota de rodapé.

Tristemente, não é novidade que em dada época, a mulher não tinha valor a não ser cuidar do lar e dos filhos.

Sylvia conta que chegava a se discutir se era possível uma mulher criar.

“Um crítico que li em minhas pesquisas disse que uma mulher não poderia ter filhos se criasse arte, porque gastaria toda sua criatividade. Havia ideias muito estranhas na época sobre as mulheres e a criação. Argumentava-se até que não é a mulher quem gera o filho, que é o homem quem o gera o filho e a mulher apenas o carrega no ventre. É assombroso. Parecia que havia um receio cultural profundo em relação à ideia de mulheres criativas.

Ah! Essa dura face da história que tão bem conhecemos. Duzentos anos nos separam destes acontecimentos e tão contemporâneos nos parecem…

Enfrentando um leão por dia, lá estão as mulheres do seu cotidiano. Agarrando com firmeza cada oportunidade oferecida, pra dar razão ao nosso movimento devagar (porém contínuo) de emancipação da mulher…

Já sabe responder o famigerado questionamento “Quem precisa de feminismo?”.

Fontes e entrevista completa com Sylvia Milo:

www.theothermozart.com/

http://www.brasilpost.com.br/2015/11/25/mozart-irma-talentosa-_n_8648926.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

SOBRE O AUTOR

Com a loucura rock'n roll percorrendo as veias, é louca dos gatos e mergulha com facilidade nos universos políticos-sociais. Confunde coração com escudo. Gosta do pé no chão e a cabeça nas nuvens - sagitariana convicta.