Visual Thinking – O Mercado se Rende à Criatividade.

visual_intelligence_bi_4

            Há alguns anos o termo “Indústria Criativa” vem sendo utilizado quando se fala principalmente em atividades econômicas e mercado de serviços. Mas o que isso realmente significa? Essencialmente Indústria Criativa é aquela onde se têm talentos criativos, que possuem habilidades técnicas voltadas à criação em geral e que propiciam à atividade econômica a partir da propriedade intelectual. Podemos nos referir ao mercado de moda, arte, design de games, design de interiores e uma infinidade de outros “designs” pelo mundo a fora e até mesmo em termos como “Economia Criativa”, mas não irei estender o assunto sobre o tema. Nesse momento pode surgir a questão, o Visual Thinking , seria uma técnica voltada para esses ramos de atuação? Não exclusivamente.

            Antes de falar sobre Visual Thinking ou Design Thinking, é importante compreender a outra questão já debatida há anos, principalmente em pesquisas voltadas para a área de psicologia, educação e aprendizagem, que deram origem a algumas teorias desenvolvidas sobre o assunto.

            A principal delas, chamada Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida em 1980 por um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, EUA, liderados por um psicólogo chamado Howard Gardner, afirma que existem 7 tipos de inteligências: As duas que a nossa sociedade mais cobram tanto na área educacional quanto profissional que são as inteligências Lógico-Matemáticas e a Linguística, a Corporal-Cinestésica, Intrapessoal, Interpessoal, Naturalista, Existencial e a que interessa à esse post: a Visual-Espacial.

ENTENDEU OU QUER QUE EU DESENHE?

            Muitos de nós já nos deparamos com a dificuldade de compreender um manual de instruções sem ilustrações, ou o contrário, o manual todo ilustrado sem texto algum explicativo. Isso ocorre bastante também com exposições de arte, principalmente as contemporâneas que contam com obras conceituais. Alguns preferem o texto explicativo e outros não vêm necessidade para tal. Outro exemplo simples e mais bem humorado é a expressão “Entendeu ou quer que eu desenhe?” Vocês com certeza já utilizaram ou ouviram essa frase. A questão é que essa expressão tem uma profundidade imensa e vem sendo levada a sério pelo mercado de trabalho nos últimos anos.  Aqui entra o Visual Thinking (pensamento visual-espacial), embasado pela teoria das inteligências múltiplas, originada de uma pesquisa complexa sobre neurologia, sistema cognitivo, psicologia, etc.

DA TEORIA À PRÁTICA.

            Com a evolução da tecnologia e com o surgimento da internet, nossa sociedade está cada vez mais visual. Não é preciso procurar muito: ao abrir as redes sociais, basta comparar a quantidade de texto e de fotos compartilhadas por milhões de pessoas diariamente. Dentro desse novo panorama e diante da crise econômica mundial, empresas e profissionais passaram a estudar essas teorias e começaram a testa-las na prática.

            A partir da aplicação prática dessa teoria, começam a surgir inúmeras técnicas novas de marketing, publicidade, planejamento de projetos e as mais variadas formas de transpor técnicas tidas como tradicionais de diversas áreas para atingir esse público ávido por imagens. E uma avalanche de cursos, treinamentos, vídeos a respeito do assunto. O objetivo é “ensinar” como utilizar o pensamento visual na vida profissional, e se tornar um “designer” do seu campo de atuação, seja desenhando um produto ou o planejamento de vendas para uma loja, por exemplo. Os infográficos, vídeo marketing, são algumas das consequências dessa transição do texto verbal para o não verbal. Steve Jobs, fundador da Apple, talvez tivesse razão quando afirmou que “Design não é forma, é função”, pois analisando o Visual Thinking, é exatamente este o propósito. Resumindo, o Design Thinking é a informação tratada para o individuo dotado do pensamento visual (Visual Thinking).

            Obviamente, a ideia de um mundo mais criativo, que abra as portas para diferentes formas de pensamento e habilidades, que elimine a categorização binária de certo e errado, inteligente e ignorante, é animadora. O que nos resta saber agora é se irá efetivamente funcionar. Em uma sociedade como a nossa tão diversificada culturalmente, mas ainda com traços profundos de intolerância, podemos vislumbrar uma nova forma de expressão e comunicação, mas também novas formas de ofender e atacar. Em todo o caso, é um avanço o reconhecimento de outros tipos de inteligência e que nossa sociedade adapte-as não somente ao mercado profissional, mas também à escola, política, segurança pública.

SOBRE O AUTOR

Wagner Galesco é artista plástico e arte educador formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Pesquisador nas áreas de educação, estética e história da arte não européia, adora a integração entre o papel de artista e o de professor, trabalhando em todas as linguagens artísticas. Curta Wagner Galesco: