Beleza: do plástico à essência

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Texto compartilhado com o Literatortura

Foi procurando por imagens de paisagens pacíficas da natureza que digitei no site de buscas a palavra “beleza”. Como já se deve imaginar, o resultado não foi o esperado. Apenas na primeira página, em suas centenas de fotos, já concluí que o vocábulo utilizado não fora o ideal. O que vi despertou-me a ponderar sobre o que abrange hoje a ideia de beleza para nós ocidentais.

Contei cinco fotos de homens. Demonstra como a ideia do belo já é automaticamente associada ao feminino. Mulher precisa estar sempre bonita, já dizia minha mãe. Não fazer unha é desleixo. Não depilar-se é falta de higiene. Ser gorda é doença. Nenhuma das sentenças anteriores pode ser aplicada com o mesmo sentido ao tratar-se de homens.

Contei onze fotos de negras. É preciso mencionar que apenas duas de tais fotos não continham inscrições como “mulher negra” ou “beleza exótica”. Várias das demais mostravam cabelos crespos alisados. E a proporção numérica em relação às brancas não condiz nem um pouco com a realidade brasileira. Por que permitimos, em um país que diz amar a mistura e a diversidade, que as negras sejam consideradas um subitem da estética? Inventamos o “departamento da cor negra”? Não deveria a beleza simplesmente caminhar por aí, independente da cor?

Não contei nenhuma foto de alguém sem maquiagem – a não ser as cinco dos homens. Aliás, grande parte das fotos mostrou instrumentos de estética que variavam de batom a máquinas anticelulite. É óbvio que o conceito de beleza está arraigado a posses e práticas: pagar academia, comprar cílios postiços, fazer dieta de emagrecimento, etc. Não está superestimado o valor e a efetividade da aparência? A julgar, por exemplo, em situações de epidemias e fome pelo mundo – como se essa já não fosse a realidade – seria mais bela a mulher magra, branca e loira ou a que descobrisse a cura de uma doença sem tratamento?

No dicionário, o vocábulo “beleza” aparece conceituado como “harmonia de proporções” e ainda “bondade, excelência”. Urge abandonar o que afixamos em nós mesmos como belo, que a beleza deixe de ter a característica do que é plástico, do que altera e põe em molde.

É preciso reavaliar as tais proporções mencionadas no dicionário, bem como o que é considerado bom e excelente. E que o simples fato de ser consista na essência da beleza.

SOBRE O AUTOR

Há vinte e cinco anos de viagens e poesia, cultiva amizade com os livros e tem fé no amor que caminha com a verdade. Estudou Música, Letras, Linguística e atualmente cursa um Mestrado em Ciências da Educação.