Fotógrafa retrata haitianos como personagens do tarô

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A jovem fotógrafa Alice Smeets, que esbanja talento e sensibilidade, reconstruiu as imagens do tarô (originalmente desenhadas em 1909 pela artista Pamela Colman Smith), com artistas haitianos do Atis Rezistans – uma comunidade que transforma restos descartados em arte – em seu cenário local e apenas com materiais que estivessem à disposição.

Smeets, belga, agora com vinte e sete anos, foi a mais nova vencedora da história do prêmio Unicef de foto do ano, em 2008. A imagem escolhida, entre 1.450 concorrentes, foi tirada quando a fotógrafa tinha apenas vinte e um anos (retrata uma menina negra de vestido branco, em frente a dois porcos, atravessando descalça uma enorme poça em uma favela no Haiti). Ela, além de tudo, é professora, cineasta e pintora.

No Indie Gogo, que é uma plataforma de crowdfunding (site de financiamento coletivo), ela expõe as fotos e seu ideal filantrópico.

“Por um longo tempo, eu queria interpretar o baralho de tarô com minhas fotos, mas tirar fotos comuns das cenas parecia muito simples. O meu objetivo era criar uma linha muito pessoal sem perder os diferentes espíritos dos cartões. Então veio a ideia de combinar três das minhas paixões: o mundo espiritual, a cultura e o povo do Haiti, bem como as reflexões filosóficas sobre as dualidades em nosso mundo; neste caso, ricos e pobres.”

“Desde 2007 tenho sido uma visitante assídua do Haiti e vivi no país por mais ou menos dois anos. Sua complexidade e espiritualidade têm desempenhado um grande papel na minha vida. As observações da sociedade haitiana trouxeram respostas a muitas de minhas perguntas”.

“Então, tirar as fotos de tarô no gueto de Porto Príncipe foi escolha óbvia para a criação do deck: afastando-se das imagens clichês de pobreza, ilustrando os espíritos e os significados dos cartões com um toque de humor em no meio da favela e mostrando pessoas negras, nas tradicionais cartas europeias, para quebrar estereótipos”.

Inicialmente, o objetivo era arrecadar € 7 mil, o valor estimado para imprimir as 78 cartas do tarô e bancar os custos de produção. Porém Alice não imaginaria o sucesso: logo no primeiro dia, o projeto já estava coberto em 25%. As colaborações iam de € 10 a € 4.800, e a meta foi alcançada em apenas duas semanas, no mês passado. Para ela, foi uma surpresa ver que as pessoas continuaram participando, até que o “Ghetto Tarot” chegou a € 37.508. O site prolongou a campanha para quem ainda quiser comprar uma edição limitada do jogo.

“Há muitas gerações, os haitianos testemunham pessoas dizendo a eles que são pobres e que precisam de “soluções” ocidentais para os seus problemas, e há bastante tempo muitos deles se associaram a essa ideia — diz Alice. — Nosso objetivo é destacar a criatividade e a força dos cidadãos do gueto, e temos certeza de que dentro deles há um tesouro de ideias inovadoras para dissolver o círculo de dependência e vitimização, e esse círculo vai quebrar se o mundo começar a olhar para suas habilidades, em vez de suas deficiências”.

As primeiras exposições das imagens estão marcadas para setembro, na Inglaterra e na Alemanha, além de um livro previsto para o início de 2016.

Visite o site da campanha, veja o conjunto de cartas e contribua em:

https://www.indiegogo.com/projects/the-ghetto-tarot#/story

Fontes:

http://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/fotografa-belga-usa-haitianos-para-recriar-imagens-do-tarot-16558449

https://www.indiegogo.com/projects/the-ghetto-tarot#/story

http://www.atis-rezistans.com

SOBRE O AUTOR

Com a loucura rock'n roll percorrendo as veias, é louca dos gatos e mergulha com facilidade nos universos políticos-sociais. Confunde coração com escudo. Gosta do pé no chão e a cabeça nas nuvens - sagitariana convicta.