Obras contemporâneas no SAPLARC – Salão de Artes Plásticas de Rio Claro

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Nesse ano, tive o imenso prazer de ser nomeada Presidente da Comissão Organizadora do SAPLARC – Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, cidade do interior de São Paulo onde nasci. De maneira geral, me impressionei muito com a qualidade das obras, algumas de nível verdadeiramente internacional.

A mostra possui duas categorias: a acadêmica e a contemporânea. Nesse post, vamos ver algumas de minhas obras preferidas da categoria contemporânea e em outro texto, Wagner Galesco – Vice-Presidente do SAPLARC – também artista plástico e escritor do Fashionatto, fala um pouco das obras acadêmicas.

Não poderia deixar de começar pelas “sardinhas” do talentosíssimo Eraldo Carlos Lacerda que recebeu a medalha de ouro da categoria contemporânea. O escultor criou uma instalação/escultura de nome “Regresso Nacional”, na qual representou as duas torres do Congresso Nacional através de duas sardinhas podres ladeadas por meia laranja de cada lado. As laranjas fazem alusão aos “laranjas”; e o caldo que escorre das sardinhas – que bem lembra chorume – seria o petróleo da Petrobras, vítima de esquemas e corrupção. Além disso, de maneira super lúdica, ele colocou a obra à venda por US$ 100.000.000,00.


Regresso Nacional.
Fotografia de Germano Meyer e edição de imagem de Bruna Pascholati

Em seguida, também gostei muito do par de vestidos de Damares Rampin. Creio que a obra possua cunho feminista, aquele preto amarrado com arame farpado representando as amarras cruéis com as quais foram aprisionadas as mulheres durante centenas de ano – o preto do vestido lembrando as burcas usadas pelas muçulmanas. Já o colorido, apresenta frases e palavras do tipo “silêncios da história”, “desigualdade”; e possui uma aura, acredito eu, um pouco mais otimista, mas que também poderia significar a falsa liberdade dos dias atuais. Os pincéis amarrados com fita preta poderiam fazer alusão ao luto e correspondem ao preto da outra peça. Usar vestidos, objeto feminino por excelência, faz todo sentido.


Dor
e Um Sorriso Monalisa (ainda durante a montagem do salão), respectivamente à esquerda e à direita.

O duo de Israel Farias de Araújo que faz referência à pintura (lata de tinta) e a leitura (livro) recebeu menção honrosa.

Também apreciei as esculturas pintadas de Sechi, que receberam medalha de prata e possuem uma aura bastante intrigante, além de técnica bastante desenvolvida.


Pictoperformance com Martelo e Formigas.
Fotografia de Germano Meyer e edição de imagem de Bruna Pascholati


Pictoperformance Baratas %.
Fotografia de Germano Meyer e edição de imagem de Bruna Pascholati

Marcelo Rodrigues de Oliveira apresentou dois trípticos fotográficos de título O sono da razão produz monstros, em referência à gravura de mesmo título criada por Goya, famoso artista espanhol nascido no século XVIII.


Il sueño de la razon produce monstros de Goya

O David Bowie de Sheila Lima é interessante, pois sobreposto ao fundo repleto de letras de suas músicas.

Dirceu Banchi participou da mostra com um retrato em mosaico, composto de poucas cores, um sucesso técnico e estético, em minha opinião.

Finalmente, fiquei apaixonada pela tela Caçando borboletas de Maroka, e faço questão de mencioná-la, mesmo tratando-se de uma obra que foi colocada na categoria acadêmica – fato que, aliás, não concordo muito. A aura surrealista da pintura, para mim, não tem nada de acadêmica, senão a fina qualidade técnica. Independente do estilo, suas linhas e tons predominantemente pretos, brancos e cinzas – característica do artista, passam ao espectador uma sensação deliciosa de fantasia e alegria.

 

O salão mostrou 149 trabalhos de 74 artistas de 29 cidades, representando cinco estados brasileiros. Em minha opinião, só faltou a presença de artistas internacionais, para assim aumentar as trocas culturais e enriquecer ainda mais o salão. Esperemos, quem sabe, pelos “gringos” no ano que vem!

Notem que o salão, continua aberto até o dia 26 de julho e a entrada é gratuita, portanto, sem desculpas ao pessoal da região para visitá-lo e fazer um passeio cultural sem gastar nada! Além disso, o prédio do Centro Cultural, local da mostra, está inserido em uma área verde com direito a um lago e pedalinho. Andar entre as árvores ou relaxar no pedalinho comentando as obras recém-vistas pode ser ideal para o próximo sábado à tarde.

No final do post, você encontra as informações detalhadas sobre horários e endereços.

Veja também a reportagem sobre a exposição no G1:

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/salao-de-artes-de-rio-claro-apresenta-mais-de-100-trabalhos-de-artistas-de-todo-o-pais/4298644/

Serviço:

XXXIII SAPLARC – Salão de Artes Plásticas de Rio Claro
Centro Cultural “Roberto Palmari”
Rua 2, 2880 – Vila Operária (Lago Azul)
até 26 de julho
9h – 21h
Entrada franca

SOBRE O AUTOR

Aline Pascholati é artista plástica, escritora, tradutora e historiadora da arte pela Université Paris 1 – Panthéon-Sorbonne. Autora dos livros Paris com pouco dinheiro e FRANCE – C’est magnifique! Atualmente está trabalhando em seu terceiro livro. Louca por aprender novas línguas, viajar e descobrir jovens estilistas talentosos nas semanas de moda pelo mundo a fora. Curta Aline Pascholati's Art: https://www.facebook.com/alinepascholatisart