“Mulheres da Lua” – Exposição reúne retratos do poder feminino

CAPA MULHERES

Diante do fluxo intenso de emoções que o corpo de uma mulher pode carregar, posso afirmar que, sendo uma, estamos dentro de um turbilhão frenético de acontecimentos.

Muito além do saturado “Ah!… O mercado de trabalho”, a superação feminina de cada dia é intrínseca às mil coisas que a mulher pode pensar e fazer ao mesmo tempo.

Não é só tomar banho pra ficar limpa. Tem a maquiagem, a pele hidratada.

Não é só estudar pra ser alguém. É ter que superar a expectativa (e não só a sua própria).

Não é trabalhar o psicológico. É fazê-lo um gigante gentil, para aguentar firme.

A mostra de Camilla Albano, intitulada “Mulheres da Lua”, é o retrato perfeito do que a mulher precisa resgatar em si (para libertar-se, logo em seguida).

A fotógrafa conta que a inspiração veio nos encontros do Sagrado Feminino – reunião mensal em noites de lua cheia, no Ateliê Imagine Utopia, onde o grupo senta ao redor de uma fogueira, com intuito de celebrar a vida, o corpo e a alma, expressando seu espírito livre e resgatando sua ancestralidade e seus laços com a natureza.

Ela nos presenteia com vinte e quatro obras, captando as auras de um grupo com mais de 60 mulheres, que estão expostas na Kaleidoscope Galeria de Arte, em Fortaleza.

Perceba que, espontaneamente, criou-se uma aura incrivelmente liberta da figura nua da mulher como objeto sensual – mostrando-as puramente naturais e despretensiosas.

Os ensaios foram realizados ao longo de dez meses, em diversas locais do Ceará, tais como Guaramiranga e Aquiraz.

Elas começaram tímidas, mas ficaram muito felizes quando viram as fotos”, conta a autora, dizendo também que o resultado elevou a autoestima das participantes. “O nu foi uma questão tratada com naturalidade e fez parte de um momento de transformação, no qual a sinergia era sentida entre todas as mulheres”.

O Sagrado Feminino é um estilo de vida. É a filosofia de reconexão da mulher com sua real origem, onde reaprende a perceber seus instintos e funções, como também a estabelecer paz com seu ser orgânico, respeitando seus ciclos (menstrual, gestacional), distanciada das ideias industriais e manipuladas pela mídia e sociedade, onde prolifera o machismo – e pior, escondido e mascarado.

Camilla comenta que esta pressão imposta precisa ser superada, e toma força com o crescimento desse tipo de alternativa saudável e espiritual.

Com este trabalho, ela espera que as pessoas sintam-se curiosas pela história de cada participante, pelo gesto de coragem e entrega que cada uma se permitiu – e despertar em todas as mulheres o desejo de se libertar e seguir o fluxo natural da vida.

“Quero que se identifiquem e se reconheçam” (Camilla)

Camilla, sobrinha do renomado fotógrafo José Albano, encontrou-se no mundo da fotografia, depois de ter percorrido o mundo do design, da propaganda e da música eletrônica. Morou por quatro anos em Alto Paraíso (Goiás, na Chapada dos Veadeiros), onde se conectou à espiritualidade e aguçou seus sentidos através dos rituais.

Segundo Moacir Junior, curador da Kaleidoscope, a exposição “mostra o corpo feminino não como produto de consumo, mas sim como palco da vida”.

Serviço:

“Mulheres da Lua”, de Camilla Albano

Kaleidoscope Studio

Rua Franklin Távora, 604 – Centro, Fortaleza.

De 29/06 a 31/07 – De segunda a sexta-feira (13h Às 20) e Sábados (10h às 17h)

Telefone: (85) 3253-1806

Entrada Gratuita

Fontes e galeria completa:

https://www.facebook.com/CamillaAlbanoFotografia

http://www.blogartmundi.com/mostra-da-fotografa-camilla-albano-revela-a-forca-ancestral-da-mulher/

http://www.personare.com.br/desvendando-o-sagrado-feminino-m4072

SOBRE O AUTOR

Com a loucura rock'n roll percorrendo as veias, é louca dos gatos e mergulha com facilidade nos universos políticos-sociais. Confunde coração com escudo. Gosta do pé no chão e a cabeça nas nuvens - sagitariana convicta.