A sedução e o corpo da mulher através dos séculos

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Temos uma visão bem clara do corpo feminino como uma das maiores maravilhas da natureza. Tudo que parte de uma mulher é belo. A vemos como mãe, companheira, amiga. Sabemos que a beleza da vida começa ali, naquele corpo que é capaz de, por nove meses, carregar outra vida e trazê-la ao mundo.

Além de tudo isso, também temos padrões de beleza, impostos pela mídia, propagados de boca a boca e ideia a ideia. Mulheres são discriminadas por estarem a cima do peso ideal. Ideal pra quem? Por ter um cabelo de tal tipo que não considerado bonito. Bonito pra quem? Vê-se, assim, como a sociedade tenta impor ao indivíduo, algo que foi construído coletivamente por um padrão individual. Apesar de tantas advertências, preconceitos e julgamentos, a mulher sempre se fez bela, nasceu bela, e ninguém pode tirar isso dela.

O que entendemos hoje por sedução e o que podemos chamar de libertinagem?

Voltando séculos atrás. Quando a igreja/religião cobriu o corpo da mulher, o pudor se acentuou; deixando então a mulher longe do próprio corpo, ela própria começa a se rejeitar e a se ver como objeto de pecado puro. Nesse ponto, o sexo é demonizado, a vagina só tem uma finalidade: reprodução. O verdadeiro tesouro da natureza e o símbolo da maternidade (seios, só depois), não pode ser relativo a prazer. A mulher foi criada para gerar outra vida, ela não pode usar dessa experiência para satisfação própria. Prazer é pecado e pecado é igual a inferno.

O útero tinha como principal característica pelos ditos “médicos” da época, ser algo amável e que conseguia atrair para si o prazer masculino, aproximando-se do pênis por um movimento precipitado, extraindo então sua semente para que a procriação fosse concebida. Com essa metáfora, uma bela e romântica visão da penetração, até faz parecer que essa ideia de sexo apenas para procriar, seja absolutamente linda.

Entretanto, nem todas as ideias eram semelhantes a essa, existiam comparações entre mulheres e animais, no caso fêmeas, óbvio – comparações que diziam que as fêmeas dos animais fugiam após o coito, já as mulheres não, pois elas aderiam a pratica para o deleite próprio, e não em beneficio da natureza e da propagação da espécie. Assim, a igreja identifica as mulheres como o mal sobre a terra, desde Eva.

O corpo feminino era considerado impuro. Veja: Fluxo menstrual, placenta, líquido amniótico, secreções e dores do parto, pêlos púbicos. O que era mais ridículo, mas se formos considerar o pensamento da época, não dá pra falar muita coisa.

A depilação na época considerada algo apenas para pessoas consideradas descentes, assim. Ter pêlos púbicos era considerado erótico, era pecado. Depilar-se tirava todo o erotismo das partes íntimas, na época pentear e cachear (por incrível que pareça) os pêlos púbicos era algo apenas para prostitutas, afinal elas precisavam enfeitar o que era considerado mercadoria. Ou seja, para sedução, nada de depilação.

A mulher também foi considerada um grande mal apenas por sorrir, não há nada mais belo que um sorriso feminino. O homem sempre buscou descobrir qual era a causa de seu sofrimento, desde Eva, ele acredita que a culpa é da mulher, e agora, como não desconfiar de algo, ou ser, cujo maior perigo, consistia num belo sorriso?

Em 1559 temos uma descoberta fascinante feita por Renaldus Colombo: O clitóris. Segundo Colombo, ele havia descoberto a fonte do prazer feminino, porém, sempre porém, o clitóris na época, não foi considerado isso não. O clitóris foi considerado um “mini pênis”, o que só indicou para os fantasiosos e cientistas do período que a mulher e o homem tinham também os mesmo genitais – “comprovando”, por algum tempo, os estudos do século II de Galeano, que indicavam que a mulher não passava, no fundo, no fundo, de um homem com problema na formação dos órgãos genitais.

Assim, a vagina era um pênis ao avesso, o útero uma bolsa escrotal, ovários eram testículos. Ou seja, homossexualidade não existe, afinal somos todos apenas um sexo. Claro, segundo a lógica de Galeano.

A mulher de antigamente se cobria ao máximo. Isso tornava qualquer parte do corpo exposta um belo ponto erótico, até mesmo um tornozelo. A mulher se faz bela, se ninguém permite isso, a sociedade, mesmo não querendo, permitirá, como no caso do tornozelo. Os olhares mudam, a sedução aparece em vários lugares mínimos.

Quando aparecem as maquiagens, embelezamentos do rosto com pós e tintas brancas e vermelhas, com os cuidados da beleza do rosto, começa a história da higiene e por fim as roupas dentro do conceito da moda e do erotismo. Por que insistem em cobrir o que de fato é o maior objeto de desejo masculino? Por sedução. O pudor só aumentava a sedução, o pudor é a sedução.

Referência:  Mary Del Priore

SOBRE O AUTOR

Idealizador e Administrador do Causas Perdidas. Cursa História pela UNIOESTE; Editor e administrador do Literatortura, Enciclopédia ambulante das crônicas de gelo e fogo. Afirma que não sabe todas as datas, também que não é calendário. Queria ser o batman, mas tem salário mínimo. http://www.facebook.com/barbosarossi