Conheça os penteados da Renascença inglesa: Os cabelos e os capelos Tudor

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As mulheres mantinham seus cabelos longos durante toda a Era Tudor. Tanto Ana Bolena quanto Catarina de Aragão tinham os cabelos tão longos que podiam se sentar em cima. No entanto, o cabelo era geralmente escondido sobre um toucado, sendo soltos somente em algumas ocasiões importantes, como coroações e casamentos. Os cabelos soltos eram comumente vistos como sinal de virgindade, e por isso era o penteado preferido das noivas no dia de seu casamento, onde também eram enfeitados com flores.

Uma vez que uma mulher alcançasse os status de casada, o cabelo era escondido sob algum toucado e um véu. Geralmente, o cabelo era repartido no meio e era feito um coque ou trança para que o cabelo pudesse ser preso. As franjas não estavam na moda durante os tempos Tudor e o cabelo era geralmente penteado para trás, uma vez que uma testa grande era visto como um sinal de beleza. Algumas mulheres até tiravam as sobrancelhas e parte do couro cabeludo para atingir esse efeito.

O Capelo Inglês

O capelo inglês, que no nome original é “Gable”, recebeu esse nome porque parecia um telhado sobre a cabeça de uma mulher. Sendo o tipo mais notável de toucado usado na Era Tudor, o capelo inglês era complexo e volumoso, peculiar na Inglaterra e Flandres. Sua construção interior é até hoje um mistério.  As primeiras versões do capelo inglês foram populares a partir de meados da década de 1400 até o início de 1500, onde tomaria os moldes do capelo inglês mais conhecido. Muito mais simples, os primeiros capelos ingleses eram simples e pontiagudos, e podem ser vistos em Margaret Beaufort, em 1503. Ela também está usando um longo véu, comum na época, para esconder o cabelo. No entanto, no retrato de Elizabeth de York, em 1500, percebe-se que o molde é praticamente o mesmo, mas ela não usa nada para esconder seu cabelo, e seu capelo é muito mais decorado. A parte da frente era pesada e endurecida em um ponto, chegando aparentemente até os ombros.

Já no retrato de Catarina de Aragão, pintado por volta de 1518, ela usa um estilo pouco parecido com o de Margaret Beaufort, embora ainda seja reconhecidamente inglês. O capelo se tornou muito mais decorado e complexo, com muitas joias nas abas da frente que, a propósito, foram encurtadas, chegando no pescoço. Duas tiras de tecido foram costuradas no capelo para esconder os cabelos.

Ao longo do tempo o capelo se tornou uma estrutura complexa, com uma forma de caixa que prendia o véu das formas mais elaboradas possíveis; as abas ficaram mais curtas, chegando no maxilar, como é possível ver no quadro de Jane Seymour. Vários desenhos de mulheres usando este capelo foram desenhados por Hans Holbein. Todos eles são extremamente semelhantes, apenas a cor e as joias mudam.

O capelo inglês permaneceu popular principalmente na Inglaterra: a princesa Margaret Tudor tentou apresentá-lo para os escoceses após seu casamento com James IV, mas não conseguiu que se tornasse popular. Outras versões do capelo eram usados em Flandres, e foi popular no reinado de Henrique VII até a década de 1520 do reinado de Henrique VIII, para se tornar novamente em 1530 – isto foi principalmente devido ao fato de que a rainha geralmente ditava a moda (o capelo inglês foi popular com a primeira e a terceira esposa do rei). O capelo inglês passou então a ser usado por mulheres mais velhas, e continuou a ser usado, embora não com frequência, durante os reinados de Eduardo VI e Maria I, antes de desaparecer para sempre no reinado de Elizabeth I.

O Capelo Francês

O capelo francês se originou da terra que lhe deu o nome no final do século 15. Há semelhanças entre os primeiros capelos franceses e alguns capelos usados por espanholas, como Joana de Castela e Catarina Aragão.

Caracterizado por sua forma arredondada, o capelo francês que seria reconhecido posteriormente foi usado pela rainha Ana de Bretanha. Parte do cabelo fica visível, enquanto o resto é escondido por um véu. A aba dos primeiros capelos franceses e dos primeiros capelos ingleses eram similares.

Historias geralmente creditam a rainha Ana Bolena como a mulher que introduziu o capelo francês na Corte Inglesa. No entanto, um retrato da irmã de Henrique VIII, Maria, com seu segundo marido, Charls Brandon, mostra-a vestindo o capelo francês. Este retrato foi terminado por volta de 1516, o que significa que provavelmente foi ela quem introduziu o capelo. Pode ter sido, no entanto, que foi Ana quem popularizou a moda depois de ter chamado a atenção do rei.

O capelo usado por Ana Bolena já havia mudado. Ele é menor, cercado de joias na parte inferior e superior. Ainda tem plissados, e o véu também continua. Na década de 1540, o estilo do capelo francês foi mais uma vez desenvolvido. Uma usuária assídua desta moda era Catarina Howard. O capelo cresceu, e provavelmente existe algum laço abaixo no queixo para prender o capelo no lugar – uma das linhas do capelo desceu quase até o pescoço, enquanto outra se curvou para tampar as orelhas.

O capelo francês era separado em algumas partes:

  • Coifa: uma peça de linho, usada amarrada sobre o queixo ou presa no próprio cabelo.
  • Crepine: cobertura para a cabeça que não era necessariamente usada. Muitas vezes, era feita de linha ou seda.
  • Paste: usada sobre a touca ou crepine. Era para ser usado em diversas camadas de cor diferentes, um em cima do outro.
  • Véu: cobria o cabelo completamente, caindo a partir do próprio capelo. Geralmente preto, era feito de seda ou algodão.
  • Billaments: bordas decorativas do capelo. Era comum o uso de tecidos como cetim e veludo, mas pedras preciosas, pérolas ou ouro trabalhado também eram usados como elementos decorativos.

O capelo Híbrido

Também conhecido como “Flat”, este capelo foi muito popular durante o reinado de Maria I. Era conhecido como um “híbrido”: uma junção entre o capelo inglês o francês. Mais plano e mais amplo, o capelo parece mais rígido, curvado para baixo, e o material, curvado para o lado, termina antes do ouvido, quase nivelado com a testa. Os capelos híbridos e franceses continuaram a ser ocasionalmente usados no reinado de Elizabeth I, mas com penteados mais elaborados entrando em moda, o capelo que reinou supremamente na Inglaterra por mais de 30 anos entrou em declínio, desaparecendo até o final de seu reinado. Na terra de seu nascimento, o capelo já havia desaparecido quando Henrique III subiu ao trono da França, em 1551.

O Capelo Atifet

Similar ao capelo francês, a Atifet tinha uma forma de coração. Este capelo tornou-se popular principalmente nas cortes francesas e escocesas por causa de Maria, Rainha da Escócia. Maria usava-a muitas vezes, pois ela foi levada para a França para conhecer seu futuro marido. Acabou sendo usada nas cortes inglesas entre os nobres e a aristocracia, da década de 1550 até o final do século 16.

Chapéus

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Todas as mulheres usavam os cabelos cobertos em públicos, e tanto homens quanto mulheres usavam chapéus. De estilos variados, os chapéus poderiam ser feitos de lã, feltro, couro e forrado de linho. Entre a nobreza, alguns chapéus eram parecidos com pequenas cartolas, e outros estilos, com o cap, que era parecido com uma boina.

A Coifa

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O mais simples modo de cobrir a cabeça, usado durante todo o século 16 e 17, era a coifa. Usado principalmente por mulheres, mas às vezes por homens também, a coifa parece em pinturas tanto da nobreza quanto das mulheres comum. No entanto, exemplos reais de coifas Tudor são difíceis de encontrar – provavelmente porque a coifa era geralmente usada por baixo de outro capelo.  Conforme o século avançava e os capelos tornavam-se cada vez menores e mostrando mais cabelo, a coifa também foi recuando. Geralmente amarrado por uma fita embaixo do queixo, era geralmente feita de linho branco.

Bibliografia:
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SOBRE O AUTOR

Maria Helena Alves da Silva, 21 anos, cursando o último ano de História. Há quatro anos administra um site sobre a Dinastia Tudor, onde já foram postados quase 350 artigos.