E o preconceito? – Diário de sobrevivência de uma cacheada

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Se você usa seu cabelo “ao natural”, com certeza já ouviu uma “gracinha” nada elogiosa por aí. Como contei há algumas semanas, um taxista já gritou que meu cabelo era feio e que eu deveria alisar, uma moça na locadora uma vez perguntou “você não penteia o cabelo não?” e por esses dias depois que esbarrei em um senhor, aliás muito mau humorado, e ouvi “tinha que ser preta do cabelo ruim”… Bem, nós sabemos que a questão do racismo está atrelada a esta aversão e dificuldade de aceitação do cabelo cacheado, mas hoje, vamos focar no tipo de preconceito que é quase inconsciente e atinge a todas nós: A ideia de que cabelo liso é melhor.

É fácil pensar que é uma questão de gosto, e realmente é, mas por que o cabelo liso, os olhos claros e o nariz fino são o que todos queríamos ter? Acostumamos com esse padrão e queremos nos encaixar nele, eu mesma sei o tempo que levei pra aceitar meus cachos e vê-los como um diferencial, uma parte da minha identidade, mas para muitas sempre vai ser algo que: não combina, que não nasceu pra ter cabelo crespo, etc. Se você se sente melhor com o cabelo liso, e realmente faz isso por você e não para os outros, ótimo! Porque a ideia é você estar bem com você mesma, o problema é quando escolhemos ir pelo outro caminho, e somos criticadas por isso.

 Assumir os cachos, é como fazer uma tatuagem, colorir o cabelo de rosa ou ter piercings visíveis, faz de você “diferente” e é aí que entra o respeito por parte dos outros, ou a falta dele, é aí que o seu empregador pede para você “ser mais discreta” e tirar os piercings para trabalhar, ou alisar o cabelo, ou prendê-lo em um coque mais adequado. Muitas pessoas pensam que o cabelo cacheado passa a imagem de desleixo, e não querem ter sua marca/empresa associada a isto, o que é puramente um conceito preconceituoso e não de gosto, uma vez que a competência e seriedade de uma pessoa não deve ser avaliada pelo formato de seu cabelo, não é o mesmo que aparecer com fios desgrenhados, oleosos ou mal cuidados.

 O objetivo desta coluna e deste texto é dizer que: Você não está sozinha, acontece com todas nós e assim como todos os tipos de preconceito, precisa ser combatido. Seu cabelo não a desmerece intelectual, profissional ou fisicamente. Por um mundo com mais colorido, cacheado e menos julgamento.

SOBRE O AUTOR

Luanna Jales. Ex estudante de Moda da UDESC, atualmente estuda História na UFSC. Aluna do contra, foi para a Moda estudar história, e agora que estuda História adora discutir Moda. Sonha em ser cerimonialista, figurinista e professora, tudo ao mesmo tempo. Quer conhecer o mundo e ensinar a uma pessoa de cada vez que Moda não se define pelo o que vai se usar na próxima estação. Por fim, ama Charles Schulz com a mesma força com que Schoreder ama Bethoven.