Coluna | Como se virar no mundo da moda

CAPA

-          Moça quanto que custa esse tecido?

-          70 reais o metro.

-          70?!

-          70…

-          Tem desconto?

-          Só pra funcionário, moço.

-Tem vaga pra deixar curriculum? (e continuo comigo mesmo, mentalmente) “a grana tá apertada, tem aquele ensaio fotográfico pra planejar, sem contar o anúncio do facebook, mais os tecidos que comprei em prestação e meu deus, a modelo não confirmou ainda e nossa, a minha agulha boa quebrou…”.

 

Os motivos de eu querer trabalhar com moda, artes plásticas e designer em si não quero me alongar por enquanto, deixemos que isso se esclareça com o tempo. O intuito dessa coluna é mostrar pra vocês, a incrível e difícil jornada de alguém, que depois de estudar anos de artes plásticas, saber até o impossível em técnicas que aperfeiçoei depois de testes infinitos e roupas manchadas e miraculosamente salvas pelas técnicas de lavagens de minha mãe – agora, estou finalmente no mundo da moda.

No começo do ano passado eu decidi pintar uma camiseta com tinta de tecido com algumas técnicas que simulassem os efeitos da tinta aquarela – “Denis, você deveria fazer pra vender.”. E essa ideia ficou em minha cabeça, por fim, no final do ano, surgiu a Diderot – minha marca de roupas onde faço criações de designer e desenhos aquareláveis e transmito em camisetas e outros acessórios.

Pela necessidade de inovar e me aprofunda, resolvi então começar a absorver todo esse mundo e de todas as formas possíveis – e é um pouco disso que quero tratar na minha coluna, de como aprender a se virar e entrar no mercado profissional da moda, sem necessariamente depender de todos os parâmetros que estamos acostumados: lê revista da capricho, vai pra vogue, vai pra faculdade, faz estágio na forever 21 e depois mercado profissional.

Uma das coisas que aprendi cedo no mundo das artes, com a venda de quadros e outros artigos era a dificuldade de ter que se virar em tudo sozinho – tem que ser o artista, mas tem que ser o empresário, o administrador, o contador, financeiro, marketing, sociality, guru, vidente e todos os afins. No mundo da moda não é nada diferente.

Demora-se tempos e tempos pra ter toda uma equipe trabalhando contigo, enquanto isso não acontece, acaba sendo necessário todo um trabalho individual e com a ajuda de algumas amizades: AMIGO PEGA ISSO, SEGURA AI QUE A LUZ VAI FICAR ÓTIMA PRA ESSA FOTO, OBRIGADO e corta isso aqui pra mim. <3
Foto abaixo ilustrando situação parecida quando tive uma exposição artística.

E será um pouco disso que indicarei pra vocês, sim, indicarei, já que não quero aqui dar manual de instruções e muito menos ser um professor virtual – apenas sou também alguém que se aventura pela escrita e quer mostrar um pouco da minha vida fashionista aqui, na internet. Tentarei indicar pra vocês formas de como saber administrar, mesmo que o pouco, do dinheiro que chega em suas mãos: já que a decisão de gastar com uma tesoura nova ou aquele tecido maravilhoso que você viu na sua loja online favorita, levam horas de reflexão e tomada de decisão.

E ensaio fotográfico? Você tem noção do quanto é difícil que a câmera, a modelo, você, sua roupa, o local em si, consigam transmitir aquilo que você quer para o espectador? Diferente da escrita, que passamos também, horas e horas revisando, relendo até chegar ao texto final, um ensaio fotográfico tem hora programada, tempo, e mesmo que você tire mais de mil fotos, ainda são apenas mil fotos e se não der certo, pra fazer novamente custa tempo, dinheiro e isso, pra nós, meros humanos iniciantes nesse mundo, é difícil conseguir novamente.

Comecei a aprender a costurar faz dois dias (pensando hoje, que escrevo, dia 11/03/2015) e confesso que é bem mais difícil do que eu imaginava. Gente como assim a velocidade do pedal super influência?! Eu meti meu pé e aquilo foi super rápido, enroscou o pano, gente…desastre. E as agulhas?! E tecidos?! A velocidade, densidade, intensidade da agulha – depois disso tudo, nunca mais reclamarei de ser difícil encontrar uma costureira boa e barata e rápida: FAÇAM O MESMO.

Aqui em baixo já deixarei alguns assuntos que trabalharei por aqui! Dependendo de quando você está lendo esse texto, caro leitor de um futuro não muito distante, alguns já podem até estarem linkados e você já será redirecionado para o texto de interesse.

 

Como entender sobre fotografia com o reality show (——- —— ——-)

Como entender sobre designer e se inspirar com (—– ——)

Os melhores vlogger pra aprender a costurar.

Os diferentes sistemas métricos e como converter pra sua costura!

O dia que a agulha da máquina quebrou.

Porque é mais difícil costurar roupa masculina que feminina?

Livros de moda e artes que você tem que ler e sua faculdade talvez não peça.

Como escolher uma faculdade de moda no Brasil e fora dele.

Ensaio fotográficos – onde tirar inspiração e técnicas pra fazer você mesmo!

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Sim, o intuito da minha coluna é falar sobre dramas, um pouco de negócio e todas as peripécias que a gente tem que passar nessa vida – grandes reflexões, citações de escritores de 500 anos atrás ou até mesmo contos eróticos, não escreverei por aqui. Se você quiser ler sobre erotismo, visite minha coluna lá no causas perdidas! Clica aqui!!!

Escrevo todos os sábados, costuro quase todos os dias e a minha costura reta é quase uma pintura surrealista. Diversão, informação, curiosidades e claro, um pouco de humor, já que de imprevistos e estresses a gente vive de muitos!

SOBRE O AUTOR

Artista plástico e designer com razoável sucesso, idealizador da grife Diderot. Paga as contas com estágio da faculdade, iniciante na costura e viciado em RuPaul's Drag race. Passa seus dias tentando não colar seus tecidos com cola quente ao invés de costura e linha. Isso fará mais sentido depois.