Big Chop, O grande desespero – Guia de sobrevivência de uma cacheada

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Crise de choro, queda drástica na autoestima, desaforo na rua, desaprovação em casa e do ex namorado. Essas foram apenas algumas das coisas pelas quais passei nas primeiras semanas após o Big Chop, que no meu caso, foi acidental.
A minha transição final para cacheada foi extremamente difícil, especialmente porque eu não estava preparada pra isso. Minha ideia era ir na cabeleireira e pedir pra ela tirar a maior parte da química, mas o que ela fez? Cortou tudo. Meu cabelo na época havia crescido por cerca de um ano e meio, então não tinha lá muita coisa sobrando depois de passar a tesoura, resultado: Eu suuuurtei.
Ps: As fotos deste período estão com uma qualidade bem mais ou menos, mas não tem muito o que eu possa fazer, desculpem.

Período de transição, seis meses antes de cortar

Período de transição, seis meses antes de cortar

Primeira foto pós Big Chop, convenhamos, eu tinha motivo pra surtar.

Primeira foto pós Big Chop, convenhamos, eu tinha motivo pra surtar.

No dia, fui para o salão de óculos e ela me pediu para tirá-los para fazer o corte, senti que estava ficando curto, mas como tenho 6,25 de miopia, eu realmente não via nada.Quando reparei que até a minha franja havia sumido, caí no choro. Para piorar a primeira coisa que ouvi ao chegar em casa foi meu avô dizer: “Misericórdia, que cabelo horrível Luanna, o que foi que você fez?” caí no choro de novo.
Bem, depois disso também tive que lidar com os vizinhos dos meus avós (estava de férias com eles) dizendo que eu tinha estragado meu cabelo, meu ex namorado, que ao me ver no aeroporto disse que eu parecia “A dona negona do Tom e Jerry.”, um taxista na rua que gritou “vai alisar esse cabelo medonho” e comigo mesma, que simplesmente não me reconhecia no espelho. Me sentia estranha, feia e com cara de criança. Mas estranhamente, não tentei alisar o cabelo e ver se ficava melhor, resolvi sofrer a dor inteira. Porém, mantive a franja lisa (Senhor, perdoai, eu não sabia o que fazia).
Passadas algumas semanas descobri que todos os penteados que eu tentava fazer, ficavam absurdamente charmosos, pareciam inspirados na Era Vitoriana, o volume dos cachinhos e o jeito que eles caiam começaram a me encantar e passei a aceitá-los melhor. Em oito meses, eu estava apaixonada e feliz.

Um ano pós Big Chop

Um ano pós Big Chop

Quase dois anos após o Big Chop

Quase dois anos após o Big Chop

Dois anos e meio após Big Chop

Dois anos e meio após Big Chop

Mudar tão drasticamente de visual é muito difícil, é uma decisão que tem que ser pensada, pra que você mesma possa se preparar para o que vai ver no espelho. Definitivamente não recomendo um Big Chop surpresa como foi comigo, mas devo dizer que no fim, valeu à pena, meu cabelo é o que mais amo em mim, faz parte de quem eu sou.
Se você faz o tipo corajosa, como uma amiga minha linda <3 que resolveu simplesmente raspar, vá em frente e aproveite tudo o que o seu rosto pode oferecer! Ser careca é prova de personalidade forte, poder e autoconfiança.
Huanita Linda e poderosa

Agora se você estiver mais para o meu tipo, e resolver esperar, fique longe de cabeleireiras com uma mão propensa a cortes grandes, e quando chegar seu grande dia, procure um salão que saiba cuidar de cabelos cacheados, é difícil de achar, mas não impossível. Aqui em Floripa existe o Studio dos Cachos, no Campeche e por experiência própria, recomendo. A cabeleireira de lá vale por uma terapeuta, antes do corte ela te pede a “ História do seu cabelo” e faz mil perguntas sobre como ele é em um dia normal em que você está com preguiça de arrumar.
E vocês? Estão em que período? Transição? Criando coragem pro Big Chop? Pós corte? Ou já começaram a aproveitar a maravilha desses cachinhos? Contem pra mim, adoro ouvir histórias de cacheadas. Me dêem dicas! Receitas mágicas de hidratação e penteados novos nunca são demais.

Venham para o lado cacheado da força!
luanna.duque@gmail.com

SOBRE O AUTOR

Luanna Jales. Ex estudante de Moda da UDESC, atualmente estuda História na UFSC. Aluna do contra, foi para a Moda estudar história, e agora que estuda História adora discutir Moda. Sonha em ser cerimonialista, figurinista e professora, tudo ao mesmo tempo. Quer conhecer o mundo e ensinar a uma pessoa de cada vez que Moda não se define pelo o que vai se usar na próxima estação. Por fim, ama Charles Schulz com a mesma força com que Schoreder ama Bethoven.