J.Carlos | O célebre ilustrador e designer gráfico que marcou a década de 20 no Brasil

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No dia 28 de setembro foi encerrada, no Centro Cultural Correios da Rua Visconde de Itaboraí no centro do Rio de Janeiro, uma magnífica exposição chamada J. Carlos em Revista. Essa foi definitivamente a melhor exposição que eu já tive o prazer de visitar, pois superou todas as minhas expectativas, mas, é claro, eu não poderia esperar nada abaixo disso quando se trata de J.Carlos! E o Centro Cultural dos Correios está de parabéns por essa exposição incrível que fui prestigiar duas vezes! E ainda ganhei um almanaque muito fofo!

A exposição se dividiu em três partes, mostrando assim, três faces do trabalho do artista, como: designer, cronista e publicitário, sendo rica em imagens e obras, foram horas lendo textos e vendo seus desenhos, rascunhos e anúncios, e ainda, tirei foto com uma Melindrosa do meu tamanho! Acredite se quiser, ele até apagava pequenas imperfeições com corretivo, o que prova que até mesmo os grandes ilustradores são bem autocríticos. Quem não foi, infelizmente, perdeu uma exposição linda, fofa, engraçada, rica e, sobretudo, uma exposição que podemos dizer com orgulho que foi repleta de obras da cultura nacional.

 Para quem não conhece muito bem o seu trabalho, vou tentar explicar sua importância na história da arte e da moda brasileira.

Nascido em 28 de Junho de 1884, no Rio de Janeiro, J.Carlos ou José Carlos de Brito e Cunha foi um célebre ilustrador, pintor, chargista, caricaturista e designer gráfico brasileiro, sendo considerado um dos maiores representantes do Arte Decó no Brasil e um marcante artista do século XX. Autodidata, suas contribuições são de valores inestimáveis no que se refere a história, sociedade, publicidade, artes, moda e tipografia.

“Carioca de berço e modernista por vocação” como diz Luís Alberto Prado em sua matéria para o site MultiRio, J.Carlos ganhou renome  ao ser um grande observador de sua época e retratar a cena urbana de seu tempo também através de crônicas.

Seu trabalho e seus traços caracterizam-se pela simplicidade, rapidez, humor, clareza e nos faz perguntar como é possível retratar e desenhar de forma tão simples, elegante e autêntica aquilo que desejamos expressar? Longe casino online de exageros e desenhos rebuscados, J.Carlos tem uma identidade visual autêntica que nos faz sorrir ao olhar para o passado nos entretendo com os hábitos, costumes, comportamento, moda e a política da sociedade do século XX, e também, a urbanização e invenções tecnológicas da época, retratando as grandes mudanças na virada do século.

Ele realizou trabalho para algumas das revistas da época, como O Malho, Para todos, Fon Fon, A Cigarra, Vida Moderna, Revista Nacional, Tico-Tico, A Noite, Cinearte, O Papagaio, A Avenia, O Cruzeir . Já na publicidade, é possível vermos anúncios da Caixa Econômica, Biotônico Fontoura, enlatados e etc.

Acima de tudo, na exposição pudemos conhecer o processo criativo de J.C. Primeiramente, ele riscava a lápis as suas ideias para depois passá-las a nanquim, isso mesmo nanquim! Em algumas ilustrações ele reforçava bem seus traços, então acredito que ele possa ter usado guache devido a sua textura. Para os desenhos coloridos, ele fez um excelente trabalho com aquarela e eu fiquei com vontade de ter o meu quarto repleto de ilustrações dele na parede!

Foram nos Anos Loucos o auge do sucesso de J.Carlos, pai dos personagens icônicos da década de 20: Melindrosa e Almofadinhas, o casal marcante da modernidade do século XX – A mulher urbana de cabelos curtos que dançava o Charleston e o rapaz malandro de sapatos bicolor.

Contudo foi na década de 30, que J.Carlos se consagrou como primeiro artista brasileiro desenhar o Mickey Mouse, passando desde então a desenhar personagens para capas e algumas páginas publicitárias na revista O Tico Tico e outras obras primas.

Alguns anos depois, em meados da Segunda Guerra Mundial,Walt Disney desembarcou em uma visita ao Brasil impressionando-se com o estilo único e os autênticos traços de J.Carlos, convidando-o imediatamente para trabalhar em Hollywood, mas o ilustrador recusou seu pedido, entretanto, desenhou e enviou para o Sr. Disney uma ilustração de um papagaio que deu origem a ninguém menos que o Zé Carioca. J.Carlos foi da época em que o mundo passou por grandes dificuldades com as duas Guerras Mundias e isso esteve presente na sua obra em uma série de desenhos antibelicistas, segundo a Reportagem da aqui!.

Segundo o site Wikipedia, J. Carlos sofreu uma hemorragia cerebral enquanto estava reunido com o compositor João de Barro – o Braguinha -, discutindo a ilustração para a capa de seu próximo disco e faleceu dois dias depois, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, na redação da revista A Careta.

Para saber mais sobre o projeto J.Carlos em Revista eu sugiro que visitem o site [link=http://www.jotacarlos.org/] Jota Carlos [/linkhttp://www.jotacarlos.org/] que tem como finalidade disponibilizar as obras primas desse grande ilustrador.

CURIOSIDADES

 

  • No Bairro Jardim Botânico há uma rua que recebe o seu nome, Rua J.Carlos.

IMAGEM: http://www.britoecunha.com/uploads/4/8/9/9/4899612/7462230.jpg

  • A escola de samba Acadêmicos da Rocinha prestou uma homenagem ao ilustrador trazendo uma obra sua como enredo: Tem Francesinha no Salão… O Rio no Meu Coração no carnaval de 2009. A escola conquisto o terceiro lugar do grupo de acesso A.

IMAGEM: http://www.sambaderaiz.net/wp-content/imgs/logo_rocinha-2009.jpg

  • O Cantor Zeca Pagodinho inseriu alguns desenhos de J.Carlos na capa do seu álbum Hoje é Dia de Festa, 1997.

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LIVROS

Para quem quiser conhecer mais sobre a vida de J.Carlos e, também, para quem pretende fazer algum trabalho da faculdade sobre a Moda dos Anos 20, com certeza, deve pesquisar mais sobre as obras do mesmo:

  • O Bonde e a Linha – Um perfil de J.Carlos
    Autor: Loredano, Cassio. Editora: Capivara
  • Rua J.Carlos – Jorge de Salles (curador)*
  • O Vidente Míope – J.Carlos n’O Malho
    Autor: Carlos Loredano; Simas, Luiz. Editora: MAUAD.

*Este eu vi apenas mencionado em alguns sites e há alguns deles em sites de sebos, entretanto, não tenho muito conhecimento do mesmo.

SOBRE O AUTOR

Estudante de Design de Moda, da UVA. Carioca que tem paixão pela sua cidade. Namorada de um militar, o qual fez surgir grande interesse na influência do militarismo na moda. Pensa em fazer faculdade de História e adora ler. Além de acreditar que a moda transmite aos outros quem somos, mesmo nos dias de hoje.