Look do dia – Costume, hábito, praxe… Rotina?

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É DE PRAXE

Fins de noite e madrugadas a dentro,

uma luminária acesa,

o chão,

o computador em meu colo

e um grande espelho em minha frente.

Talvez essa seja minha rotina.

Algo inconstante,

que varia de locais,

temperaturas e

claramente de fases,

humores,

entre outros obstáculos

que a vida nos proporciona

para uma maior maturidade,

está também presente em cada palavra

que utilizamos no decorrer de nossa carreira

como escritores.

Luísa Torquato

 

Para o velho e imortalizado Bukowski, “Um escritor que espera por condições ideais para trabalhar vai morrer sem colocar uma palavra no palavra no papel.”

Simone de Beauvoir, grande pensadora e feminista, também procurou se aderir a uma rotina.

Minha paixão me leva até a máquina de escrever todos os dias da minha vida; e tem me levado a ela desde os meus doze anos. Não preciso me preocupar com uma agenda”. 

Conhecido por escrever em pé, Hermingway preferia a rotina diurna:

Quando estou trabalhando em um livro ou história, escrevo toda manhã assim que surge o primeiro feixe de luz. Não há ninguém para te perturbar e faz frio, e você começa a escrever e o trabalho te esquenta. [...] Você escreve até chegar num momento em que ainda está bem inspirado e sabe o que vai acontecer em seguida, e você para e tenta viver até o próximo dia quando você é pego pela escrita novamente. Digamos que você começou às seis da manhã, e irá continuar escrevendo até a tardinha, ou pouco antes disso. Quando você para, você está vazio e, ao mesmo tempo, nunca vazio e sim preenchido. Como se tivesse feito amor com alguém que ame. Nada pode te machucar, nada pode acontecer, nada significa nada até o próximo dia quando você o fizer de novo. É a espera até o próximo dia de escrita que é difícil.”

Cada qual com sua rotina, rituais pré escrita, exercícios, leituras e afins. E dessa forma regemos o mundo literário, o mundo da escrita e suas diversas variantes. Atacamos com nossas melhores armas, as palavras, almas não tão indefesas, as quais estão dispostas a – talvez- nos conhecer. almas que desejam mergulhar a fundo em pesquisas, observações, textos, etimologias e inclusive neologismos.

Ou, simplificando; pessoas como nós, escritores; que mergulham fundo para o que o atrai. A pesca – busca por inspiração- , muitas vezes raros e ágeis em escapar são os peixes – inconstantes ideias, e fabulosas histórias que raramente permanecem em nossas mentes e agilmente se vão, de nossas redes – mentes.

SOBRE O AUTOR

"E aqueles que estavam dançando, foram julgados insanos, por aqueles que não podiam escutar a música." Kadercista e nietzschiana por opção, artista e escritora por amor.