“Azul é a cor mais quente”: filme inspira garotas a pintar os cabelos de azul para encontrar parceiras

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O que você pensaria se visse, andando pela Avenida Paulista, em São Paulo, várias garotas com cabelos azuis rindo alegremente pelo caminho? Tenho um palpite: você diria que são adolescentes exóticas que só querem chamar a atenção dos pais e, de quebra, chocar a sociedade. Já outros diriam que são garotas sinalizando que gostam de se relacionar com mulheres.

Mas a iniciativa não veio do nada. A moda começou após a popularização do filme “Azul é a cor mais quente”, dirigido por AbdellatifKechiche. O longa ganhou a Palma de Ouro no Festival de Canes, evento que dá indícios sobre como será a próxima premiação do Oscar. No filme, uma das personagens que vive um relacionamento homoafetivotem as madeixas pintadas dessa cor.

O filme conta a história de Adèle (AdèleExarchopoulos), uma garota de 15 anos que não sabe o que quer da vida, mas faz o que se espera de umaadolescente: dar conta do ensino médio e fazer uma atividade produtiva, no caso dar aulas de francês. Em um determinado momento da história que dura quase 3 horas, ela conhece a artista plástica Emma (Léa Seydoux), uma garota moderna que começa a mostrar para Adèle que o mundo pode ser bem maior.

No desenrolar da história, em meio aos dramas e questões envolvendo famílias e modos de ser, as duas se descobrem e encontram a melhor forma de trilhar seus caminhos. Depois de assistir ao filme e minimizar todas as outras ideias que deixam como pano de fundo o amor entre as garotas, meninas resolveram adotar como sinal de preferência sexual o ato de pintar os cabelos de azul.

É interessante ver como as pessoas resignificam coisas que, a princípio, não tem valor algum dentro da construção de uma trama, como é o caso dos cabelos azuis de “Azul é a Cor Mais Quente”. A moda tem dessas coisas: dar simbologia para tribos. São escolhas e preferências que se materializam de alguma forma, tornando os diferentes, que buscam ser incomuns, iguais e reconhecíveis para outras pessoas que também buscam a diferença. Penso que a moda das garotas de cabelo azul é passageira, mas trata-se de um exercício interessante de observação.

 

 

SOBRE O AUTOR

Jornalista, mineira, vegetariana, leitora compulsiva. Entende a moda como um fenômeno multifacetado. Em sua próxima encarnação, tem o objetivo de voltar como Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo”.