O padrão Marilyn Monroe | mulheres que se inspiraram ou foram vítimas desse padrão

CAPA

Corpo sensual, poder e principalmente sucesso são marcos que as mais famosas loiras deixam no mundo. Marilyn Monroe (Norma Jeane Mortenson) é um grande exemplo e talvez uma das mais famosas de todos os tempos. Esse padrão ditatório fez com que Norma Jean pintasse suas madeixas de louro e fizesse que a maquiagem fosse sua segunda pele, essa segunda pele que escondia toda suas fraquezas e anseios; deixando-os mascarados e apenas exposto o seu corpo estereotipado pela mídia.

Marilyn fez com que as lentes de câmeras se tornassem suas amigas íntimas, as mesmas que a deixava irresistível para qualquer pessoa que as olhasse. Os trejeitos, seu sorriso, sua atuação e, claro, sua sensualidade criavam um ar único onde Marilyn estava. Mas fora esse padrão, quem realmente foi Marilyn Monroe?

A grande questão: seria Marilyn Monroe a imortal que é digna de crítica ou Norma Jean, a morena, gaga, pobre, que apenas era mais uma entre muitas que lutou para conseguir seu espaço no mundo? É claro, Marilyn e Norma são a mesma pessoa, mas essa bipolaridade, essa dupla face que pertence apenas a uma única mulher faz dessa figura da 20th Century Fox uma questão que pertence até hoje à cabeça das pessoas: mulher poderosa ou marionete?

Acho interessante começarmos a pensar na questão de o que é ser uma mulher poderosa. Talvez seja sinônimo de mulher independente, que conquista o mundo sem precisar de ninguém, principalmente de um homem ao seu lado. Ou talvez mulher poderosa seja aquela que possua um corpo desejável, de beleza incomparável, que faz com que todos façam de tudo para trazer o seu agrado.

São sim dois pontos, duas situações de mundos e opiniões totalmente diferentes, mas que se encaixam perfeitamente no quesito padrão Marilyn Monroe, o mesmo que com o tempo foi moldado. Vejamos que Marilyn era a mulher estereotipada como loira, gostosa e burra. Essa imagem que Marilyn proporcionava escondia por trás uma pequena garotinha triste, que precisava de pessoas que realmente gostassem dela por ser o que ela era, podemos dizer que a mesma queria ser amada, mas as pessoas amavam “Marilyn Monroe”; a figura, a personalidade, a personagem. E nesse desejo incansável que Marilyn procurava vieram suas polêmicas, suas dores, seus imensos atrasos em gravações, – onde a mesma passava horas em melancolia – sua insônia, até sua eternização, quando veio a falecer em 5 de agosto de 1962.

 

 

Essas são apenas algumas características na vida de Monroe que mostram o quão infeliz era uma marionete dos grandes chefões da mídia da época, e até mesmo dos amantes que percorreram durante toda a vida de Marilyn. Talvez ela não fosse de toda inocente e creio que Marilyn era sim uma garota muito esperta, mas seu sofrimento – uma carga imensa que ela carregou desde sua infância – fez com que ela se afundasse. Pode-se conferir melhor esse outro lado de Marilyn em quaisquer de suas biografias, e para aqueles que não são grandes fãs de biografia, existe o filme “7 dias com Marilyn” (2011). Veja o trailer a baixo:

Ainda no quesito mulher poderosa, como disse acima são dois lados a serem vistos: a mulher independente e também a mulher estereotipada fisicamente.

Pois bem, com o decorrer das décadas, novas personalidades foram surgindo e vemos que muitas celebridades se inspiraram ou foram também vítimas desse padrão. E com o tempo as duas definições de mulher poderosa se tornaram algo homogêneo, tornaram-se uma só. Houve uma fusão de ambos os aspectos e, naturalmente, ser forte e independente se tornou tão fundamental quanto ser loira, gostosa e sensual. E ao mesmo tempo vemos que o padrão Marilyn Monroe também se seguiu na parte melancólica e sobrecarregada de fantasmas do passado.

 

 

 

Vemos grandes exemplos, como Madonna, a loira de talento indiscutível, que sempre causou polêmicas e mostrou ser uma mulher forte que não tem medo de nada e de ninguém, com 30 anos de carreira criticou contextos sociais e culturais do mundo todo. A rainha do Pop sempre está a procura da revolução, – revolution of love – sempre se reinventando, se moldando e claramente usando de seu corpo, sua sensualidade e talento para criticar aquilo que a incomoda e até mesmo agrada, porém, a Material Girl carrega consigo desde os cinco anos de idade a morte de sua mãe. Esse acontecimento, como seria com qualquer pessoa, marcou a vida de Madonna; e a mesma, em muitos casos, deixou exposta essa fatalidade em sua arte. Madonna nunca escondeu seu lado maternal instintivo, sua dificuldade em falar da morte de sua mãe e de como isso a atingiu. Vemos por exemplo na música Mother and Father, do álbum American Life, e também no documentário “Na cama com Madonna” (1991), onde em vários momentos a cantora fala de sua mãe.

Madonna em sua turnê mundial Re-invention Tour performando Mother and Father

Madonna no documentário Na cama com Madonna, em que ela visita o cemitério onde sua mãe está enterrada. A música de fundo – “Promise to try” do álbum Like a Prayer é uma das que Madonna dedicou a perca de sua mãe.

Outros exemplos da mídia são as cantoras Lady Gaga, e seu passado atormentado pelo bullying, e Britney Spears, que sofreu com o sufocamento que a mídia e os paparazzi lhe proporcionaram. Nos casos de polêmicas, como as que enfrentou a socialite Paris Hilton. A atriz Lindsay Lohan, com seu envolvimento com drogas, e até mesmo com a cantora Christina Aguilera, que sempre foi alvo de chacota por sua variação de peso, algo que para esse padrão é motivo de horror.

marilynmulheres

Todas essas mulheres, essas seguidoras – de certo modo – involuntárias do padrão Marilyn Monroe são, acima de tudo, mulheres, assim como qualquer outra. São mulheres que se inspiraram em padrões impostos, são mulheres que escondem seus sentimentos atrás de perucas e batons e até mesmo mulheres que perdem as estribeiras uma vez ou outra. São mulheres, são seres humanos. E vemos cada vez mais homens se encaixando nesse padrão, talvez não no padrão Monroe, mas em padrões que fazem as pessoas se moldarem, serem diferentes de uma forma ruim, pois não procuram suas verdadeiras identidades, vivendo na constante busca da felicidade falsa, aquela que é imposta para parecermos felizes, e não para nos sentirmos felizes.

Todos nós temos nossos momentos Marilyn Monroe e em outros somos Norma Jean. Temos essa mistura de sentimentos, essa bipolaridade que nos possui e nos transforma, mas o importante é procurarmos acima de tudo a quebra desse padrão, desse feitiço que termina à meia-noite.

 

 

SOBRE O AUTOR

É conhecido como aquele que é precoce em tudo que faz, hoje, aos 18 anos, já estuda para se formar como cientista social, escreve por paixão e no resto do tempo julga aqueles que julgam – ou assiste seriado clichê.