Menina autista de apenas 3 anos ilustra quadros valiosíssimos!

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Artigo compartilhado entre Literatortura e Fashionatto.

A menina Íris Grace Halmshaw, de apenas 3 anos de idade, ama a água, as árvores e o vento. Ama dançar na ponta dos pés e carregar consigo os mais diversos objetos – sempre na mão esquerda.

A adorável inglesa foi diagnosticada com autismo em seu 1º ano de idade. Alertados das possíveis consequências da disfunção, os pais de Íris acordaram em devotar seu tempo em lentos processos de adaptação, junto a sessões de terapia e diversas, diversas tentativas de agrado a filha. Entre as frustradas tentativas de interação social em playgrounds infantis, recebidas por Íris com notável perturbação, os pais foram surpreendidos ao buscar um novo método terapêutico: ao colocar pincel e tinta nas mãos da menina, viram efluir de suas combinações (aparentemente ingênuas) de cores uma beleza, a princípio, inexplicável. A criança, incapaz de interagir com outras pessoas, fazer contato visual ou comunicar-se verbalmente, utiliza uma bela arte espontânea como forma de expressão e terapia.

“Ela entende as cores e a maneira como elas interagem entre si. Ela vibra de entusiasmo e alegria quando lhe dou as tintas, sempre a anima.”

Conta a mãe Arabella Carter-Johnson, primeira a estimular a atividade para a filha. Arabella descobriu o efeito da pintura em Íris, que, hoje, é capaz de ficar mais de duas horas plenamente focada em suas obras – extraindo delas grande satisfação e desenvolvendo o foco e habilidades motoras. A primeira obra de Íris foi chamada de “Patience” – em alusão ao esforço requerido pela menina – e assim que foi divulgada no Facebook de Arabella, causou uma reação inesperada: diversas pessoas mostraram forte interesse pelas obras de sua filha, oferecendo pagamento pelo quadro. Os pais começaram vendendo as obras pelo preço de custo, mas, em pouco tempo, a situação tomou rumos imprevisíveis. Recentemente, um colecionador comprou duas obras originais de Íris por mais de 2.000 dólares e uma exposição de originais já está marcada para Novembro.

As pinturas de Iris apresentam uma habilidosa mistura de cores e padrões. A menina, que, segundo a mãe, parece saber intuitivamente o que fazer, pinta quadros que remetem a flores em um campo, águas de um rio, a leveza da chuva. Seu trabalho reflete seu humor: paciência, serenidade, alegria – advindos de seu prazer em pintar.

“Seu autismo criou um estilo de pintura que eu nunca vi em nenhuma outra criança de sua idade.”

Diz, ainda, a mãe de Íris.

Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos quadros será empregado nas sessões de terapia da menina.

 

O autismo é uma disfunção de desenvolvimento marcada por características comportamentais peculiares. Sendo tipicamente notado nos três primeiros anos de vida, o autismo – variando em um espectro que afeta os portadores em diferentes graus – pode causar inaptidões: da dificuldade de interação a um severo atraso no desenvolvimento mental.

Os “sintomas” do autismo variam entre os casos, sendo alguns sinais gerais e mais comuns: a dificuldade de interagir socialmente – ressaltando uma possível inabilidade de estabelecer contato visual -, sensibilidade aguçada – os sentidos podem ser levados ao extremo, tornando sons e luzes mais fortes que o normal -, dificuldade de concentração, entre outros. A maioria das pessoas autistas devota seu tempo e sua atenção a uma única atividade, sendo a dedicação à ela responsável por amainar os sentidos e focar a percepção sensorial e coordenação mental.

Em casos menos severos do espectro, os indivíduos afetados podem comunicar-se e apresentam uma superioridade intelectual expressa através de “dons” específicos – embora ainda apresentem uma ou mais características comportamentais ou sociais afetadas pelo autismo.

Os autistas que acolhem as artes em seu universo particular emergem seu talento através de uma sensibilidade incomum: uma combinação entre a aguçada percepção sensorial característica e o retraimento – impelidos a um universo próprio pela dificuldade de comunicação com o meio externo, os autistas são pessoas emocionalmente sensíveis e detalhistas; o isolamento propicia visões particulares expressas através de uma arte também muito particular.


Algumas notórias personalidades mostraram traços do autismo, embora as atribuições não passem de especulações. De gênios das ciências exatas (acredita-se, aliás, que a afinidade com números seja freqüente no autismo) como Albert Einstein, a escritores e compositores.

No mundo da literatura, a mais atribuída menção é de Lewis Carroll, autor de “Alice no País das Maravilhas”. Com uma perceptível inaptidão para interações sociais, Lewis comportava-se de maneira retraída e não tinha muitos amigos – pelo menos não de sua idade. Carroll apreciava a companhia de crianças (a história de Alice teria sido feita especialmente para uma menininha real homônima), pois achava mais fácil interagir com elas.

Outro caso especulativo de autismo é o do compositor Amadeus Mozart. Mozart tornou-se exímio músico com apenas 4 anos de idade e, pela sua adolescência, tornou-se um afamado gênio. Embora alguns neguem o autismo do compositor, há traços em sua personalidade que poderiam ser facilmente atribuídos a disfunção autista (como o foco em uma atividade específica). As obras de Mozart são muito usadas em terapias para pessoas autistas, já que muitos são extremamente sensíveis a suas músicas, reagindo de maneira quase imediata.

Atribuindo à Íris uma genialidade precoce ou não, é inegável o seu grande desenvolvimento – não só dentro das condições de sua disfunção, mas também se compararmos suas obras com a de grande maioria das crianças de sua idade. Enquanto alguns alegam que as pinturas de Íris não são superiores ao desenvolvimento da média das crianças, e outros que as obras da pequena inglesa remetem até mesmo ao estilo impressionista de Monet (como nos “Lírios d’água”), é consenso que a arte é uma bela forma de Íris sobrepujar suas dificuldades.

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