A mulher do século XX e as Guerras Mundiais: a quebra de uma vestimenta que perdurava por séculos

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Nada fez o mundo ir mais depressa do que as duas grandes guerras. Tecnologia, filosofia, comportamento… Tudo parece se modificar mais rápido nestes períodos, e algo que pula aos olhos é a evolução do vestuário feminino entre 1914 e 1945.

Em 30 anos, toda uma estrutura que perdurava por algumas centenas de anos, desaba. A mulher passa a se apossar do guarda roupa masculino, e a conquistar seu espaço, mesmo aquelas que eram impostas a esta situação.

Durante a primeira guerra os vestidos perderam os ornamentos, ganharam grandes bolsos, encurtaram e por vezes davam lugar as calças, o que facilitava o uso da bicicleta, ferramenta importante para a mulher que agora deveria trabalhar e se locomover com maior facilidade. Com os maridos na guerra, cabia a elas o papel de “chefe de família”.

Vejamos agora algumas fotos da época e breves descrições acerca do assunto.

[o tema aqui tratado rende diversas abordagens e aprofundamentos. Iremos, com o tempo, produzir mais e mais matérias acerca dessa interessante época]

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Imagem 1: Operárias   da industria bélica no Reino Unido, 1917. Elas eram conhecidas como canarinhos por ficarem com a pele amarelada devido ao enxofre.

 Fonte: Livro 100 anos de moda, 2012

 

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Imagem 2: As irmãs Debenham, 1925.

Fonte: Livro 100 anos de moda, 2012.

A partir do entre guerras, na década de1920, o básico, é moda. Desde que Paul Poiret e Coco Chanel estabeleceram as calças como parte do universo feminino, o vestuário se torna mais livre e a silhueta em ‘S’ dá lugar as retas.

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Imagem 3: Erica Popp, 1934.

Fonte: livro 100 anos de moda, 2012.

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Imagem 4: Coco e o duque Laurino de Roma

Durante a segunda guerra, todo o processo anterior se repete, mas não há um choque tão abrupto no vestir. Porém, os pequenos luxos tentam ser preservados, motivo pelo qual o mercado negro alemão era o mais lucrativo negócio da época.

Com a necessidade de uma redução de gastos, algumas mulheres que não queriam abrir mão da feminilidade da meia calça, improvisavam como podiam. Desenhava-se a costura da meia na parte de trás das pernas, o que criava uma coisa do tipo “eu finjo que é de verdade e você finge que acredita” já que todo mundo sabia do pequeno truque.

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Imagem 5:  Produto para simular a meia calça. 1940

Sapatos novos também foram outra raridade durante a guerra. Em um ato quase criminoso, algumas fábricas chegaram a comprar rolos de filmes cinematográficos já usados e derrete-los para fazer saltos.

 O pret-á-porter já estava consolidado, e ganha ainda mais espaço ao produzir roupas voltadas para as trabalhadoras. O “Fashion Group of Great Britain” cria uma linha com 32 vestidos de corte simples e pesados, que aqueciam e mantinham a praticidade.

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Imagem 6:  Vestido  Popover de Claire McCardell

Os chapéus que haviam encolhido durante a primeira guerra, mantiveram um tamanho menor perto do início da década de 1910, mas agora eram mais criativos. É neste contexto que surge Elsa Schiaparelli, que criaria o “chapéu sapato”.

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Imagem 7: Retrato de Elza Schiaparelli, por Horst P. Horst, 1937.

Por mais cruel e prejudicial que venham a ser estes conflitos, é impossível negar que eles nos obrigam a repensar a sociedade, nosso modo de vida e despertam a imaginação. É um evento propulsor. Quem sabe quantos anos levaríamos para nos libertar dos espartilhos? A moda independente de Chanel haveria perdurado até hoje? Ou teria mesmo vingado? No fim, só temos a agradecer a nossos ancestrais primordiais que são as mulheres da guerra.

SOBRE O AUTOR

Luanna Jales. Ex estudante de Moda da UDESC, atualmente estuda História na UFSC. Aluna do contra, foi para a Moda estudar história, e agora que estuda História adora discutir Moda. Sonha em ser cerimonialista, figurinista e professora, tudo ao mesmo tempo. Quer conhecer o mundo e ensinar a uma pessoa de cada vez que Moda não se define pelo o que vai se usar na próxima estação. Por fim, ama Charles Schulz com a mesma força com que Schoreder ama Bethoven.